Na América Latina e no Caribe, as violências contra as mulheres em todas as suas diversidades não dão trégua. Persistem os feminicídios, a violência política, a violência digital, o controle dos corpos e das vidas. E, no entanto, as violências continuam sendo nomeadas, com demasiada frequência, como assuntos privados: conflitos de casal, tragédias isoladas, falhas individuais. Diante desse modo de olhar nasce esta campanha, com um lema que é também um roteiro: repensar as violências para transformar tudo. Atuemos!
Repensar é um gesto político: significa tirar as violências do terreno do íntimo e devolvê-las ao terreno do público, onde sempre deveriam ter estado. As violências contra as mulheres em todas as suas diversidades são a expressão de relações desiguais de poder que atravessam a política, a economia e a cultura, e que se articulam com o racismo, o colonialismo e o capitalismo. Nomeá-las assim, com toda a sua complexidade, é o primeiro passo para disputar-lhes sentido e, com o tempo, transformá-las.
Un horizonte compartilhado
Uma trama que une o regional e o nacional
Repensar as violências para transformar tudo é uma aposta por equilibrar a denúncia com a proposta, a crítica com a imaginação. É afirmar que outros mundos são possíveis porque já estão sendo construídos, todos os dias, por organizações, comunidades e movimentos em todos os territórios da região. Esta campanha é um convite aberto a se somar a essa construção coletiva: a nomear o que antes se calava, a exigir o que ainda falta, e a imaginar, junto a outrxs, as transformações que ainda estão por vir.